13 de outubro de 2016

A velha Ponte dos Arcos...

No envelhecimento há coisas que custam.
Vermos desaparecer locais onde fomos felizes, que marcaram o percurso já percorrido, dói no mais fundo de nós. Arranha-nos a alma.
Este assomo de nostalgia tem a ver com o desaparecimento da Ponte dos Arcos.

A Ponte dos Arcos, tal como estava, era, mais do que um estorvo, um impedimento para o fluir do trânsito dos dias de hoje.
Estamos numa sociedade comodista, de consumo exacerbado, onde se vive e se morre a correr.
A Ponte dor Arcos "empatava" os carros, as motos, os camiões e, até, as bicicletas.
Nada mais simples: fez-se desaparecer.

Da Ponte dos Arcos, a minha geração tem grandes recordações. O desafio que era a passagem, a pé, por cima dos arcos, que tremiam com a circulação dos pesados; os mergulhos, com a maré a encher, para depois ir a nadar até ao cais do Luís Elvira e do Gala.
Para a Ponte dos Arcos, já é só tempo de recordação. 
Por vontade dos políticos...

A Cova e Gala da minha juventude era pequena e fluía melancólica, mas com um peculiar recolhimento afectivo.
Entretanto, cresceu desmesuradamente. Ao mesmo tempo, foi, também e paradoxalmente, envelhecendo lentamente.
Por vontade dos políticos, foi-se tornando um subúrbio, que é onde passam a residir os expulsos da cidade.

A minha Terra está a morrer. Ou, antes, roubaram-lhe a alma, que é a mesma coisa que condená-la a desaparecer numa agonia desumana, lenta e dolorosa.
Devia ser proibido matar os locais onde fomos felizes! ...
Quando desaparecem, vai com eles parte do que fomos ...

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