28 de outubro de 2016

As marinhas de sal

As marinhas de sal fazem parte da história, da cultura e da paisagem da Cova Gala. 
Desde os primórdios da nacionalidade, até um passado recente, a exploração do sal no Estuário do Mondego constituiu uma das principais actividades económicas do nosso concelho.
Na nossa Aldeia, a produção de sal também chegou a ser importante.
Nos dias de hoje, porém, a exploração das salinas está em declínio: poucas restam em funcionamento.
Embora não haja falta de sal, existem graves problemas de escoamento. Há muitas toneladas do produto armazenadas nos barracões. Há mesmo quem acredite, que a concorrência estrangeira acabe por, mais cedo ou mais tarde, liquidar o salgado da Figueira. Uma indústria, recorde-se, que ainda não há muitos anos atrás, deu trabalho a mais de 2000 pessoas no nosso e onde se chegou a obter bom dinheiro.
No presente, porém, o panorama é desolador: trabalham no sector poucas dezenas de pessoas. Entristecidos com a "morte lenta" da secular actividade, os poucos marnotos que ainda resistem, criticam a ausência de apoios do Estado.


A recolha de sal era feita então por métodos artesanais. 
Essa actividade, faz parte das minhas memórias de infância, pois durante muitos anos, lá pelos idos anos 60 do século passado, acompanhei muitas vezes a minha mãe e a minha avó Rosa Maia, tiradeiras de sal - elas iam trabalhar no duro e eu, criança, ia brincar aos marnotos.
Recorde-se, que na altura as salinas constituíam uma actividade económica relevante na Figueira da Foz.
A minha mãe, que é a tiradeira de sal que se vê na imagem (apesar da má qualidade da foto, penso que dá para constatar a dureza do trabalho...), definiu-me um dia, melhor do que ninguém, o que era a dureza desta lide, "o sal era branco, mas fazia o coração preto".

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