27 de novembro de 2016

O «ex-libris» perdido

Esta foto de João Manuel Fidalgo Pimentel, possivelmente datada dos primeiros anos da década de 80 do século passado, pertence à memória colectiva da Cova e Gala. 
O que veio a seguir, para aquela zona da borda do rio da Aldeia, foi a mudança radical.
A velha  doca, o «ex-libris» da Gala, desapareceu..
Quantos covagalenses ainda não a recordam com saudade?..

O que se passou foi demasiado grave.
Resta, a quem vem desse tempo, a memória, a nossa memória, que é o alimento, umas vezes doce, outras amargo, da vida que tem de continuar.
Agora, as palavras são inúteis, mas a memória não.
Portanto, não podemos deixar apagar a memória.

Somos memória. 
É a partir dela que tudo deveria ser construído. 
Ela, a memória, deveria ser o suporte. 
Não a deixar morrer, preservá-la, não pode ser encarado como  sinónimo de saudosismo, mas, sim, como uma atitude de sobrevivência. 

Até as más memórias nos são úteis... 
A memória que esta foto recorda, é a de um futuro que podia ter sido diferente do presente da Aldeia, se, quem de direito, na altura, tivesse tido respeito pelos covagalenses e pelos seu património ambiental e paisagístico.

Apesar de tudo, é gratificante voltar aqui. 
Descobrir e partilhar uma foto como esta, é, num exercício de memória retornar a este lindo e magnífico recanto da Gala, e perceber o percurso atribulado de que foi vítima, porque repleto de equívocos e enganos irreparáveis.

A terminar, fica uma palavra de homenagem ao notável covagalense Manuel Luís Pata, que na defesa da borda do rio da Gala, nunca se deixou  domar e lutou até à exaustão por aquele pedaço da Aldeia.
Foi derrotado, mas não vencido.

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