30 de dezembro de 2016

A procissão

Sai a procissão da Capela
Com destino à beira-mar
Todos vão p’ra junto dela
Só para a ver passar

Vêm os cavalos à frente
Todos com muito jeito
P’ra afastar toda a gente
Com o máximo respeito

A fanfarra são uns amores
Tocam com muita energia
O rufar dos tambores
Ouve-se em toda a freguesia

As músicas vêm tocando
Com toda a devoção
E todos vêm acompanhando
A nossa procissão

Aí vêm os nossos barquinhos
Com os panos a panejar
A seguir vêm os santinhos
Com os anjinhos a acompanhar

Ai vem o nosso marinheiro
Com a sua mão estendida
Ele é o nosso padroeiro
Da nossa freguesia querida

Senhor abençoai os pescadores
Lembrai os tempos passados
Quando andavam nos barqinhos
Foram uns tempos amargurados
P’ara ganhar uns tostõezinhos

Estas quadras, simples, são de um homem do povo: Elísio Gafanhão, que viveu de 29 de Junho de 1917 a 14 de Setembro de 2000.
Na foto, gentilmente cedida pela família, está o poeta popular e pescador e a mulher.
Como escreve Manuel Luís Pata, no seu livro “A Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau”, um dos muitos heróis desconhecidos da nossa Terra.
Demandou os mares da Terra Nova e da Groenlândia.
Fez 33 campanhas à pesca do bacalhau.
Praticamente, fez quadras até ao final dos 83 anos que teve de vida.
A prova, fica aqui registada.
Estas quadras foram feitas em 1999, levava já 82 anos de existência.

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