16 de janeiro de 2017

O poço do Tzé Maia


O Poço do Tzé Maia from Pedro Cruz on Vimeo.

«Os franceses bem esquadrinharam todos os caminhos que levavam a terra ao mar, mas não encontraram mais do que reentrâncias onde abundava a água salgada do canal. Nem nascente, nem bica de água mansa. Por isso, se bem que patrulhassem o quebra-mar da Cova, acampavam longe, pelo menos, em Lavos, que sempre era terra de verdes, mais do que de salinas. Mas nem a obstinação do invasor – diz-se na região – é mais forte que a teimosia de um gandarês, tido, no litoral, como homem de terra-dentro. Não há documentos – senão do que contam os velhos – mas parece que terá sido um rude machadeiro, vindo do interior daquela gândara, quem descobriu um fio de água doce a aflorar as areias cobertas de pinho, musgo, camarinhas e ervas ralas e agrestes. O homem instalou-se no local, cortando lenha e vivendo da pesca. Não consta nem o seu nome, nem que tenha formado família, mas, ao morrer deixou a outros, generosamente, o segredo da nascente. Foram estes – sabe-se que povoaram aquela terra, cabendo a alguns a aparelhagem da madeira, para fazer as primeiras casas; a outros, o desenvolvimento das artes de pescar ou de armar, no rio, à caça do borrelho e do maçarico; enquanto a tarefa de abrir um poço, no lugar da descoberta de água, ficou para o mais velho do grupo, homem já feito e com vasta família: o Tzé Maia. Pelo cálculo dos antigos, tomando a memória das várias famílias que chegaram a este tempo, o poço ficou concluído entre 1815-1825. Vem daí, o povoamento. A Gala. E, de facto, de muito pouco precisa o Povo para ter a sua terra. Na Gala, não foi preciso mais do que um poço!».

Adelino Tavares da Silva

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