27 de janeiro de 2017

O "Quinito"

"Um herói! Um verdadeiro herói! Um herói anónimo. Um herói que salvou tantas, mas tantas, vidas. Que salvou muitos homens, muitas mulheres e muitas crianças de morrerem afogadas. Que se atirou tantas e tantas vezes para dentro do revoltado e temível mar, desafiando-o, pondo em muito sério risco a sua própria e única vida, para salvar vidas de inocentes e, também, as vidas de desrespeitadores, vidas de teimosos, de mal educados, de fanfarrões e de inconscientes criaturas que, por desrespeitarem o poderoso e inclemente mar, por ignorarem as trémulas, as sábias e boas conselheiras bandeiras e os solenes avisos e apitos, puseram em perigo as suas próprias vidas e as vidas de muitos outros.
Hoje, quem sabe de ti? Quem te reconhece? Quem te respeita? És ostensiva e intencionalmente ignorado, umas vezes, por inveja, outras vezes, com ressaibos de maldade. Contudo, tens a fibra e os genes dessa valorosa gente – pescadores e homens no mar - que sem medo, sem qualquer receio, sempre sulcaram esse gigante e o ainda mais gigante de todos os mares: – a vida!
Deram-te..., agraciaram-te... com alguma Comenda? Claro que não! Quais Comendas? Quais Comendadores? Pelo menos, não te ofenderam, não te embrulharam num “saco”, num rótulo em que, muitas delas – as Comendas, são puros produtos, retoques e trucagens, a alto preço conseguidas, por pagamentos – “Comendas por encomendas”- a uma certa..., e nada recomendável..., imprensa.
Gente que não se orgulha dos seus, gente que não valoriza os seus, gente que não se revê nos seus, está condenada a desaparecer porque é gente sem memória, gente demasiado pequena. Senhores políticos, senhores presidentes de Juntas de Freguesia e de outra tantas presidências..., valorizem os, genuinamente, vossos concidadãos: “Os Quinitos”, “Os grandes Mestres”, “Os Manéis dos Caracóis”, “Os, forçadamente, Emigrados”, reergam os vossos com orgulho! Estudem e preservem a vossa história..., prestem atenção à vossa toponímia! Qual Rua das Farturas!, qual Rua Abaixo da Rua de Cima!, qual Prolongamento à Esquerda da Rua Direita!..., perdoem-me o intencional, o ousado e abusado e, quase, indecoroso sarcasmo, contudo, intimamente respeitoso e bem intencionado..., “estrangeiro” sou eu, e interesso-me..., orgulho-me dos vossos e, também, meus concidadãos!
Quanto a ti, caro e querido amigo Quinito, não terás no meu coração e, no coração daqueles que - para além dos teus humanos defeitos -, reconhecem e sabem da tua grandeza, do teu heroísmo, dizia, não terás, apenas uma rua com o teu nome e para tua memória, terás, sempre, nos nossos corações, belas, floridas e extensas Avenidas com o teu nome: “Quinito- Salvador Nadador!”."
O seu verdadeiro nome é Joaquim Silva, mas todos o conhecem por "Quinito".
Walter Freitas Ramalhete, numa crónica no Figueira na Hora, lembra a vida do "Quinito"
É uma prosa que impressiona. Leiam. Basta clicar aqui

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