Todos precisamos do nosso cantinho. Temo-lo dentro da nossa casa. Também podemos tê-lo num espaço aberto, como esta janela. Uma janela é sempre um espaço de liberdade.
Há ocasiões em que a temos que inventar, sob pena de sufocarmos. Nessas ocasiões, uma janela é um conforto.
A Associação Bodyboard Foz do Mondego, nasceu no ano de 1994 na cidade da Figueira da Foz. Viria a ser a primeira Associação/Clube exclusivamente dedicada ao Bodyboard. Na época, já existia na Figueira um clube de Surf. Contudo, o Bodyboard não era visto com bons olhos. Face a isto, os primeiros e mais antigos bodyboarders, a primeira geração como é hoje conhecida, puseram mãos à obra e decidiram fundar a ABFM. Esses bodyboarders foram: Alfredo Coelho (Gudu), Paulo Pereira (Bola), Benjamim Cardoso (Benga), Nuno Trovão (Trovên), Rui Bronze, Miguel Oliveira (D`Boss), Pedro Grilo (Grigri), Gonçalo Alves (Gonças), Miguel Gravato (Graven), Paulo Gomes (Aviador), Paulo Jorge (Paulito) e João Paulo (Johnny). Depois da legalização oficial, iniciou-se a angariação dos primeiros sócios. No primeiro ano de vida, o objectivo da ABFM foi organizar um circuito intersócios de 3 categorias. As 4 etapas foram realizadas ao longo do ano nas praias da Figueira da Foz. Este circuito, de características orientadas para o Bodyboard, iria incentivar mais bodyboarders para a competição e divulgar a modalidade na área da Figueira. Ao mesmo tempo, ajudou a cativar mais jovens para a sua prática No ano que se seguiu, surgiram alguns problemas para arranjar elementos para os corpos sociais, pois quase todos verificaram que tinham dificuldades em conciliar os estudos ou o trabalho com as actividades da associação. Apesar das dificuldades, neste segundo ano de actividade estabeleceu-se como objectivo primordial, aumentar o número de atletas federados, o que viria a proporcionar à ABFM, uma maior participação colectiva e individual nos campeonatos nacionais. Em 1996 alguns colaboradores da associação, por necessidades profissionais, tiveram que se afastar das actividades da ABFM. Começava-se a sentir a necessidade urgente de renovar o grupo que trabalhava desde 94. O ano de 1997 viu o renascer da ABFM pela mão de Nuno Trovão.
Numa altura de crise geral, o movimento associativo não foge à regra. O associativismo português vive dias cada vez mais difíceis e a ansiada inversão dessa tendência não parece estar para breve. O associativismo na Freguesia de S. Pedro acompanha o que se passa no resto do País. As Colectividades da Cova e Gala, todas elas, sentem muitas dificuldade na organização do seu a dia a dia. Por diversos factores, mas onde a escassez de recursos humanos qualificados assume, hoje, como nas últimas décadas, relevância. Como sabemos, na Cova e Gala existem três Colectividades: o Clube Mocidade Covense, o Desportivo Clube Marítimo da Gala e o Grupo Desportivo Cova-Gala. Aparentemente estamos bem servidos. No entanto, se formos ao concreto, não obstante a boa vontade de alguns esforçados carolas, o panorama é francamente desolador. É assim agora. Era assim há vinte anos atrás. Era assim há trinta anos. Era asssim há quarenta anos. É assim desde que tenho memória. Já que, pelos vistos a problemática da unificação (e não fusão) das Colectividades da Cova e Gala, volta a ser um tema a ganhar actualidade, fica um contributo, que, espero, possa ajudar...
Um pouco de história Foi para tentar atenuar as dificuldades que as Colectividades enfrentavam e para tentar potencializar os parcos recursos existentes que, por volta de 1989, Carlos Alberto de Jesus Lima, o pai e ideólogo da tese, começou a tentar corporizar a ideia da unificação. A primeira reunião, digamos assim, a sério, aconteceu na Sede da Junta de Freguesia de S. Pedro, no ano de 1989. Estiveram presentes representantes das três Colectividades e, como convidado, Domingos São Marcos Laureano, Presidente do Executivo da nossa autarquia, nessa altura. Em 1990, aconteceu outro facto que podemos considerar uma tentativa, não sei se assumida e previamente pensada, de encetar o caminho da unificação: a organização conjunta da festa em honra do Padroeiro S. Pedro, pelas Direcções das três Colectividades locais. Diga-se, em abono da verdade, que nem tudo correu bem, digamos assim e, citando de memória, “por problemas de bastidores”. Entretanto, a atestar que existia gente que na época pensava na unificação, iam acontecendo outras realizações conjuntas das colectividades, como é o caso da organização de algumas edições do Grande Prémio de Atletismo de S. Pedro, uma realização que prestigiou a nossa Terra... E as Autarquíadas – quem se lembra ainda desta iniciativa – foi igualmente outra iniciativa promovida pelas Colectividades da Cova-Gala. O tempo foi correndo, a ideia da unificação foi ganhando alguma consistência, surgiram adeptos e defensores, mas, igualmente, foram aflorando resistências mais ou menos camufladas.
94/95, anos decisivos Chegámos a 1994, ano em que aparentemente foram dados passos importantes. Foi apresentado um Projecto de Unificação. Os Clubes – todos os Clubes, realizaram Assembleias Gerais e aprovaram esse Projecto, cuja implementação passaria por três fases: 1ª.– Esclarecimento. 2ª.– Iniciação do Projecto pelas Colectividades. 3ª.– Unificação das três Colectividades, pelo menos numa primeira fase, sem a perda da identidade própria de cada una delas. Depois, com o decorrer do processo logo se veria.
O que parou o processo? As coisas pareciam estar a avançar. Chegou mesmo a haver um Projecto de Estatutos e um Regulamento Geral da nova associação a ser criada, da autoria de Carlos Lima. Esse documento foi discutido em reuniões no seio dos Clubes, mas a partir daí estagnou-se até aos dias de hoje. A partir de 1995 o processo hibernou. Visto à distância, ocorreu um factor de índole pessoal, que parece ter contribuído decisivamente para o encalhamento do processo: Carlos Lima, por razões pessoais, pediu a suspensão do cargo de Presidente da Direcção do Desportivo Clube Marítimo da Gala. Este acidente de percurso, provou-o o futuro, tirou dinâmica e capacidade de organização para levar por diante o processo de unificação das colectividades de S. Pedro, que não era uma tarefa fácil de concretizar, pelas implicações e reacções que tal mudança iria implantar no panorama associativo local. Por outro lado, ainda que não assumidas publicamente, as tais resistências mais ou menos encapotadas, iam minando o processo. E a inércia acabou por ditar leis... Actualidade Em 2017, em ano de eleições autárquicas, mais de vinte anos decorridos sobre a paragem do processo de unificação, a realidade é esta: não há uma estratégia de fundo, definida, concertada e devidamente fundamentada para o desenvolvimento do associativismo em S. Pedro. E os políticos já deram um passo... E a realidade recreativa e cultural, no âmbito do nosso concelho, para não ir-mos mais longe, é a conhecida de todos nós. Na ausência duma ideia de fundo, ao longo dos anos o poder político fez aquilo que é normal: tomou medidas avulsas e pontuais, onde foram gastos largos milhares de euros, como aconteceu no ano passado, curiosamente ano de eleições autárquicas, no Desportivo Clube Marítimo da Gala e no Clube Mocidade Covense. As carências recreativas e culturais, entretanto, subsistem. A nível desportivo, as coisas têm funcionado bem melhor, embora também aqui existam lacunas fundamentais que, por esta ou aquela razão, têm sido adiadas. É o caso do piso do Campo do Cabedelo que nunca foi resolvido. E o desalento, perante tantas dificuldades, também chegou ao Grupo Desportivo Cova-Gala. É neste panorama de dificuldades gerais, que a problemática da unificação das nossas Colectividades, volta a ser um tema a ganhar actualidade. O futuro, que todos ansiamos pujante e vigoroso do associativismo na Cova e Gala, passa, inevitavelmente, pelas opções de fundo que terão, mais tarde ou mais cedo, de ser feitas. Espero que tendo em conta a vontade dos sócios e da população em geral. Espero que o processo seja democrático e entendido pelo destinatário: a população da frguesia de S. Pedro. O problema da Cova e Gala foi sempre o mesmo. As pessoas inteligentes, normalmente, têm mais dúvidas que certezas. Já as pessoas iluminadas estão cheias de certezas, raramente se enganam e não têm dúvidas.
"Um herói! Um verdadeiro herói! Um herói anónimo. Um herói que salvou tantas, mas tantas, vidas. Que salvou muitos homens, muitas mulheres e muitas crianças de morrerem afogadas. Que se atirou tantas e tantas vezes para dentro do revoltado e temível mar, desafiando-o, pondo em muito sério risco a sua própria e única vida, para salvar vidas de inocentes e, também, as vidas de desrespeitadores, vidas de teimosos, de mal educados, de fanfarrões e de inconscientes criaturas que, por desrespeitarem o poderoso e inclemente mar, por ignorarem as trémulas, as sábias e boas conselheiras bandeiras e os solenes avisos e apitos, puseram em perigo as suas próprias vidas e as vidas de muitos outros. Hoje, quem sabe de ti? Quem te reconhece? Quem te respeita? És ostensiva e intencionalmente ignorado, umas vezes, por inveja, outras vezes, com ressaibos de maldade. Contudo, tens a fibra e os genes dessa valorosa gente – pescadores e homens no mar - que sem medo, sem qualquer receio, sempre sulcaram esse gigante e o ainda mais gigante de todos os mares: – a vida! Deram-te..., agraciaram-te... com alguma Comenda? Claro que não! Quais Comendas? Quais Comendadores? Pelo menos, não te ofenderam, não te embrulharam num “saco”, num rótulo em que, muitas delas – as Comendas, são puros produtos, retoques e trucagens, a alto preço conseguidas, por pagamentos – “Comendas por encomendas”- a uma certa..., e nada recomendável..., imprensa. Gente que não se orgulha dos seus, gente que não valoriza os seus, gente que não se revê nos seus, está condenada a desaparecer porque é gente sem memória, gente demasiado pequena. Senhores políticos, senhores presidentes de Juntas de Freguesia e de outra tantas presidências..., valorizem os, genuinamente, vossos concidadãos: “Os Quinitos”, “Os grandes Mestres”, “Os Manéis dos Caracóis”, “Os, forçadamente, Emigrados”, reergam os vossos com orgulho! Estudem e preservem a vossa história..., prestem atenção à vossa toponímia! Qual Rua das Farturas!, qual Rua Abaixo da Rua de Cima!, qual Prolongamento à Esquerda da Rua Direita!..., perdoem-me o intencional, o ousado e abusado e, quase, indecoroso sarcasmo, contudo, intimamente respeitoso e bem intencionado..., “estrangeiro” sou eu, e interesso-me..., orgulho-me dos vossos e, também, meus concidadãos! Quanto a ti, caro e querido amigo Quinito, não terás no meu coração e, no coração daqueles que - para além dos teus humanos defeitos -, reconhecem e sabem da tua grandeza, do teu heroísmo, dizia, não terás, apenas uma rua com o teu nome e para tua memória, terás, sempre, nos nossos corações, belas, floridas e extensas Avenidas com o teu nome: “Quinito- Salvador Nadador!”." O seu verdadeiro nome é Joaquim Silva, mas todos o conhecem por "Quinito". Walter Freitas Ramalhete, numa crónica no Figueira na Hora, lembra a vida do "Quinito". É uma prosa que impressiona. Leiam. Basta clicar aqui.
Em 2005, a Junta de Freguesia de São Pedro decidiu homenagear algumas figuras, com a atribuição do seu nome a Ruas da nossa Terra. Uma dessas figuras foi o Pastor João Neto.
Já agora, porque principalmente os mais jovens da nossa Terra, talvez desconheçam a obra do Pastor João Neto, aqui ficam, de forma simples e sintética, alguns aspectos breves da sua vida e da sua obra.
Em 1960, João Severino Neto foi nomeado pela Igreja Evangélica Presbiteriana de Portugal, Pastor da Igreja Evangélica da Figueira da Foz. Isso implicava ter de prestar assistência pastoral a pequenas comunidades presbiterianas existentes em aldeias circunvizinhas, como a Cova e Gala, duas aldeias situadas a três quilómetros a sul da Figueira, ali logo ao remate da Ponte dos Arcos. Nessa altura, e estamos a falar dos anos 60 do século passado, Cova e Gala eram duas terras de pescadores completamente abandonadas pelos poderes. Ao iniciar o seu trabalho nestas localidades o Pastor João Neto tomou conhecimento dos inúmeros problemas sociais e económicos que atormentavam a vida da população. E tomou consciência de outra coisa: se a Igreja Presbiteriana queria cumprir a missão tinha de actuar corajosamente. E foi o que fez. Foi assim que nasceu o Centro Social da Cova e Gala, que tem como fins principais e primários desenvolver acções do âmbito da segurança social, nomeadamente nas áreas comunidade, família e população activa, Infância e Juventude, Terceira Idade, Invalidez e reabilitação. Como fins secundários desenvolve acções no âmbito da educação, da saúde, da agricultura e do trabalho.
«Os franceses bem esquadrinharam todos os caminhos que levavam a terra ao mar, mas não encontraram mais do que reentrâncias onde abundava a água salgada do canal. Nem nascente, nem bica de água mansa.
Por isso, se bem que patrulhassem o quebra-mar da Cova, acampavam longe, pelo menos, em Lavos, que sempre era terra de verdes, mais do que de salinas.
Mas nem a obstinação do invasor – diz-se na região – é mais forte que a teimosia de um gandarês, tido, no litoral, como homem de terra-dentro.
Não há documentos – senão do que contam os velhos – mas parece que terá sido um rude machadeiro, vindo do interior daquela gândara, quem descobriu um fio de água doce a aflorar as areias cobertas de pinho, musgo, camarinhas e ervas ralas e agrestes.
O homem instalou-se no local, cortando lenha e vivendo da pesca.
Não consta nem o seu nome, nem que tenha formado família, mas, ao morrer deixou a outros, generosamente, o segredo da nascente. Foram estes – sabe-se que povoaram aquela terra, cabendo a alguns a aparelhagem da madeira, para fazer as primeiras casas; a outros, o desenvolvimento das artes de pescar ou de armar, no rio, à caça do borrelho e do maçarico; enquanto a tarefa de abrir um poço, no lugar da descoberta de água, ficou para o mais velho do grupo, homem já feito e com vasta família: o Tzé Maia.
Pelo cálculo dos antigos, tomando a memória das várias famílias que chegaram a este tempo, o poço ficou concluído entre 1815-1825. Vem daí, o povoamento. A Gala.
E, de facto, de muito pouco precisa o Povo para ter a sua terra. Na Gala, não foi preciso mais do que um poço!». Adelino Tavares da Silva
Nelson Santos, o autor: "dedico esta obra de arte ao povo da Cova Gala. Quando era catraio brincava muito junto à borda do rio, com os meus amigos. Então decidi retratar onde ocorriam as minhas brincadeiras de infância, local esse no qual existia a antiga Ponte da Gala, os palheiros dos pescadores , os botes onde nos atirávamos para a água , as estacas de amarração dos barcos , etc. Fica a recordação de algo que não existe mais e que nos fazia hiper felizes. Apesar de estar longe, a Cova Gala está sempre no meu coração."
OUTRA MARGEM, perdoa-me: esta minha passagem pela televisão foi apenas algo passageiro... Não tive a ventura de ser entrevistado por uma loura Sousa, tipo Judite ou Clara, mas não me estou a queixar do Joel Perpétuo... Confesso que me diverti imenso. Para mim, foi um prazer. E nunca esperei ter tamanho sucesso! Houve quem tivesse endereçado palavras amáveis. Houve até quem, apesar de ser de um quadrante político oposto ao meu, considerasse esta uma "entrevista lúcida de alguém que consegue expor o seu ponto de vista pela positiva e com elevação. Raro na política local..." A todos e, em especial, à equipa jovem responsável pela São Pedro TV, o meu muito obrigado. Espero que tenham gostado... Eu limitei-me a ser o que sou. E, espero, sempre serei.
Sai a procissão da Capela Com destino à beira-mar Todos vão p’ra junto dela Só para a ver passar Vêm os cavalos à frente Todos com muito jeito P’ra afastar toda a gente Com o máximo respeito A fanfarra são uns amores Tocam com muita energia O rufar dos tambores Ouve-se em toda a freguesia As músicas vêm tocando Com toda a devoção E todos vêm acompanhando A nossa procissão Aí vêm os nossos barquinhos Com os panos a panejar A seguir vêm os santinhos Com os anjinhos a acompanhar Ai vem o nosso marinheiro Com a sua mão estendida Ele é o nosso padroeiro Da nossa freguesia querida Senhor abençoai os pescadores Lembrai os tempos passados Quando andavam nos barqinhos Foram uns tempos amargurados P’ara ganhar uns tostõezinhos Estas quadras, simples, são de um homem do povo: Elísio Gafanhão, que viveu de 29 de Junho de 1917 a 14 de Setembro de 2000. Na foto, gentilmente cedida pela família, está o poeta popular e pescador e a mulher. Como escreve Manuel Luís Pata, no seu livro “A Figueira da Foz e a Pesca do Bacalhau”, um dos muitos heróis desconhecidos da nossa Terra. Demandou os mares da Terra Nova e da Groenlândia. Fez 33 campanhas à pesca do bacalhau. Praticamente, fez quadras até ao final dos 83 anos que teve de vida. A prova, fica aqui registada. Estas quadras foram feitas em 1999, levava já 82 anos de existência.
O Parque de Campismo Orbitur, situado em plena Mata de Lavos, quase no extremo sul da Freguesia de S. Pedro, desde 1962, começou com uma dimensão de 2 hectares e apenas com um bloco sanitário e alguns (poucos) Bungalows. Nos dias de hoje, as exigências impostas por esta forma de fazer turismo, obrigaram à evolução e ao crescimento. A área ocupada expandiu-se. Passou para 8 hectares. As infra-estruturas, naturalmente, também tiveram de acompanhar a expansão: 3 blocos sanitários, 2 piscinas, sala de jogos, supermercado, bar, restaurante e um maior número de Bungalows e a implantação de Bangalis, campo de futebol de 5, campo de ténis, campo de basquete e mesas de ping-pong, constituem apoios imprescindíveis para quem, nos dias de hoje, faz do campismo e caravanismo uma forma de usufruir os tempos livres. Este Parque de Campismo, já com 54 anos de existência, com praia a 400 metros, continua a ser uma estrutura de referência no acolhimento aos visitantes da nossa Freguesia.
Certamente, que ao passar pelo edifício da Junta de Freguesia de S. Pedro já se interrogou: quem será o autor destes painéis? Fique a saber que não é um artista qualquer. É o Zé Penicheiro. Zé Penicheiro nasceu na aldeia beirã de Candosa, Tábua, mas a partir dos 2 anos passou a viver na Figueira da Foz. Em 30 de Junho de 1978, em entrevista que na altura deu ao semanário “barca nova” dizia o artista: “ter nascido em Candosa foi um mero acidente. Considero-me figueirense de raiz, tão novo para aqui vim”. Filho de um carpinteiro, de ascendência humilde, portanto, as dificuldades económicas impossibilitam-no de seguir qualquer curso de Artes Plásticas ou Belas Artes. Como habilitações literárias “tenho apenas um diploma oficial: o da instrução primária. Frequentei é certo a Escola Comercial e a Academia Figueirense, mas quedei-me por aí, pela curta frequência. Tenho é uma larga experiência da Universidade da Rua, onde aprendi tudo quanto sei e onde conheci as figuras que têm inspirado toda a minha obra”, disse ainda Zé Penicheiro em discurso directo, em 1978, ao extinto semanário figueirense citado acima.
Inicia a sua carreira artística como caricaturista e ilustrador. Colabora em diversas publicações: jornais do Porto, Lisboa e província, "Primeiro de Janeiro", "A Bola", "Os Ridículos", "O Sempre Fixe", "A Bomba" “barca nova” e outros, publicam os seus "cartoons" de humor. Criador duma expressão plástica original, que denomina de "Caricatura em Volume", inicia o seu ciclo de exposições, nesta modalidade, a partir de 1948. António Augusto Menano, Poeta e Escritor Figueirense, em artigo publicado em 18 de Outubro de 2001, no jornal Linha do Oeste traça um esboço escrito sobre o Zé: “A arte é indivisível de quem a produz, da acção do artista, da sua invenção criadora. A obra de Zé Penicheiro, a sua forma, o modo como se desenvolve artisticamente, traduz o seu diálogo com a matéria”. E mais adiante: “Zé Penicheiro é memoralista, um moralista, um comprometido. Faz-nos recordar tipos arquétipos de actividades quase desaparecidas numa escrita sobre a pureza estética, que estará patente em toda a sua obra. Compromete-se, está ao lado dos mais fracos, do povo, retrata-os, mostra-os como se de uma “missão” se tratasse, obrigação profunda de retorno às raízes, outra forma de pintar a saudade”. E a terminar o artigo, escreve António Augusto Menano: “Mas a arte de Zé Penicheiro não esquece o lugar. Os lugares: a infância, as praias, as planícies, as serras, e as cidades da sua vida, “diálogo” de que têm surgido algumas das sua melhores obras. Nesta sociedade pós industrial, da informática e do virtual, Zé Penicheiro mantém-se fiel aos seus “calos”, que está na base de um percurso tão “sui generis”. Zé Penicheiro, a Universidade da Rua na origem de um Artista. Os bonecos, o nanquim, o guache, o óleo – uma vida inteira a retratar as alegrias e tristezas de um povo admirável. Que é o nosso!
Alguma da liberdade que conquistamos ao longo da vida, tem a ver, ou foi adquirida, nos livros que fomos lendo. Com alguma regularidade, refugiu-me em páginas, onde o pensamento ou a realidade descrita, transbordam o meu quotidiano. E, quão importante pode ser um livro, quando, no fundamental, como tem acontecido comigo nos últimos anos, contamos sobretudo connosco próprios! Nascido numa casa com muito poucos livros, mas onde o gosto pela leitura era cultivado, a minha dívida perante as carrinhas da Fundação Gulbenkian é enorme. As carrinhas, que paravam na Gala, no Largo das Alminhas, e na Cova, frente ao clube Mocidade Covense, traziam dois Homens que muito contribuíram para incentivar o gosto pela leitura de gerações de covagalenses. Os seus nomes: António Dias Lopes Curto e Joaquim Oliveira Medina. Este serviço, estritamente popular e sem fins lucrativos, era assegurado pela Fundação Gulbenkian em quase todo o Portugal continental, Açores e Madeira. Durou entre 1958 e meados da década de 90 e atingia níveis de leitura bastante elevados, em termos estatísticos de utilizadores atendidos e inscritos, com milhões de livros emprestados todos os anos. A Gala e a Cova, agora, não ficam longe da Figueira. Há razoáveis transportes públicos e, muita gente, possui transporte particular, o que torna uma brincadeira uma ida à cidade. Mas, no Portugal dos anos 60 e 70, as coisas eram substancialmente diferentes, e a chegada da Citroen da Fundação Gulbenkian, com as estantes carregadas de livros, era praticamente a nossa única oportunidade de aceder ao conhecimento. Portugal, vivia, então, num regime autoritarista, fechado sobre si mesmo e castrador, onde a cultura não era propriamente uma prioridade do salazarismo. Nas pequenas Terras, como a Cova e Gala, quando chegava a carrinha biblioteca da Gulbenkian, porém, abria-se uma janela para o conhecimento! .... Como seria Portugal, em finais de 2016, se não existisse a Fundação Gulbenkian? Confesso que não sei. Sei, isso sim, como foram importantes para a minha geração as carrinhas Citroen da Gulbenkian! ... Obrigado!
Dois anos, um mês e dois dias depois da cerimónia de lançamento da primeira pedra e, após, cerca de 600 mil euros gastos, S. Pedro inaugurou no dia 8 de julho de 2006 o novo mercado, com a presença do Presidente da Câmara Municipal da Figueira da Foz. Com 40 bancas de peixe, legumes e outros produtos, o edifício conta, igualmente, com 12 lojas. Outra mais valia deste espaço comercial, é o estacionamento ao dispor dos utentes. A maioria dos espaços foi reservada para os vendedores do mercado que funcionava na Remígio Falcão Barreto. Por transferência de competências da Câmara Municipal da Figueira da Foz para a Junta, a freguesia de S. Pedro é a gestora deste equipamento.
No Parque Industrial e Empresarial da Figueira da Foz, na Gala, foi inaugurada em finais do mês de Junho de 2006, uma Incubadora de Empresas. Na altura, a atestar a importância do evento, esteve presente o Governo Central, através do Secretário de Estado adjunto da Indústria e da Inovação, António Castro Guerra. O projecto constitui um serviço que visa contribuir para o fomento de iniciativas empresariais inovadoras ou de desenvolvimento de produtos inovadores, colocando ao dispor das empresas incubadas um conjunto de serviços e condições que contribuam para o respectivo êxito. A Incubadora da Figueira da Foz dá apoio nas infra-estruturas, serviço de secretariado, consultadoria e apoio na procura de parceiros para o desenvolvimento de projectos, além de outros espaços comuns, como sala de serviços partilhados, salas de reuniões, salas de formação, auditório, bar/cafetaria, refeitório, área de recepção, etc. Nesta obra, importante do ponto de vista do desenvolvimento estratégico, gastaram-se mais de dois milhões de euros, dos quais um milhão e duzentos mil euros foram comparticipados por fundos comunitários.